Cura pelo Alimento

As pessoas adoram ouvir boas notícias sobre seus hábitos alimentares ruins.

BIOPODER

O modelo biomédico segundo o francês Michel Foucault aponta para uma “transformação do olhar” que ocorre na constituição dos saberes da Medicina. Segundo ele, o olhar que incorpora a subjetividade da “arte de curar” vai sendo gradativamente substituído por um olhar que localiza a doença no corpo. Há um afastamento da escuta sensível, da percepção do sujeito (dos seus afetos e da sua história de vida) e do seu processo de adoecimento e uma valorização do modelo nosológico de identificação, localização e classificação da doença.

No campo da alimentação, atualmente, a comida assume uma conotação médica em que a orientação é direcionada à conservação da saúde através da manutenção de um funcionamento regular do organismo e do respeito às regras alimentares que valorizam o componente nutricional da dieta (MOTTA, 2010).

Afinal, existem evidências científicas suficientes que sustentam o papel relevante que tem a alimentação no plano individual na prevenção e controle da morbidade e mortalidade prematuras resultantes das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), incluindo obesidade, diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Dessa forma, tem-se considerado a alimentação um dos principais determinantes modificáveis, com fortes efeitos, positivos e negativos, sobre a saúde ao longo da vida. Ajustes na dieta podem não só influenciar a saúde atual como determinar se um indivíduo irá ou não desenvolver DCNT mais tarde em sua vida (WHO, 2002).

Segundo o Dr. Michael Greger, clínico-geral americano e um dos maiores especialistas em nutrição da atualidade em seu livro “Comer Para Não Morrer” ele destaca:

“ Genes são responsáveis por cerca de 20% das doenças crônicas comuns. Os outros 80% são provenientes de como vivemos e, principalmente, de como comemos. Pessoas de uma mesma família tendem a comer dietas semelhantes e, assim, tendem a ser acometidas por doenças crônicas semelhantes, como pressão alta, colesterol alto, diabetes tipo 2 e obesidade. A dieta é o contribuinte número um para que surjam doenças crônicas, mas também pode evitá-las e tratá-las. Se fizermos parte de uma família que come uma dieta baseada em vegetais, nossos parentes provavelmente terão baixo índice de risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Por outro lado, se somos parte de uma família que abusa de carne ou laticínios, certamente o risco será maior. E, de novo, não por questão de genes, mas por hábitos alimentares. Genética pode até “apontar a arma”, mas o estilo de vida “puxa o gatilho”

Uma dieta saudável é aquela que minimiza a ingestão de alimentos processados e carnes, e maximiza a ingestão de vegetais, feijões (soja, ervilha seca, grão de bico e lentilha), frutas em geral e grãos integrais (quinua, arroz, aveia, trigo sarraceno). Vegetais da família dos brócolis, os chamados crucíferos, podem prevenir danos ao DNA das células e serem promissores agentes anticâncer devido, acredita-se, a um componente que se forma quase que exclusivamente nestes tipos de vegetais. Alimentação, de fato, trata doenças

Uma dieta baseada em evidências, e o melhor equilíbrio disponível é o que a ciência sugere: quanto mais alimentos vegetais integrais comermos, melhor.

AS formas de alimentação estão muito além apenas da comida – existem quatro maneiras muito importantes de se obter energia: alimentação, respiração, sono e meditação. Além das formas de obtenção de energia, também devemos considerar a alimentação do nosso espírito, das nossas emoções e de nosso estado emocional, que além de determinarem consumo energético elevado (quando ocorrem de forma desequilibrada) também tem o potencial de nos nutrir, e isso não é apenas num aspecto ou prisma sutil não. Quando temos boas experiências, nos nutrimos energeticamente delas, gerando energia para todo o nosso sistema, inclusive o corpo físico. Ter bons relacionamentos com as pessoas, é fundamental nesse sentido;

A alimentação chegou a converter-se, hoje, por muitas causas, num problema complexo. A progressiva industrialização, o crescimento das cidades, os transportes para maiores distâncias e os necessários armazenamentos são fatores que conduzem, inevitavelmente, a perdas no seu valor e propriedades. O grande caminho que têm de percorrer desde o produtor até o consumidor, criou, igualmente, a necessidade de se recorrer a processos e tratamentos de conservação que, com frequência, resultam também bastante prejudiciais para o valor biológico dos alimentos

Segundo pesquisa recente da University College of London, publicada no final de março no European Journal of Clinical Nutrition, comer sete ou mais porções de vegetais reduz os riscos de câncer em 25%, e o de problemas no coração em 31%. A chamada “dieta viva” tem um efeito protetor que aumenta à medida em que mais porções são adicionadas ao cardápio. Segundo os cientistas, acrescentar qualquer quantidade, em qualquer momento da vida, já traz benefícios no combate ao excesso de peso.

Referencias

FOUCAULT, M.- O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense; 2004a.

MOTTA, G. La historia, la comida, la salud. Un vínculo siempre más estrecho entre alimentación y medicina. Med. segur. trab., v. 56, n. 218, p. 93-99, Marzo 2010.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: report of a joint WHO/FAO expert consultation. Geneva: WHO, 2002.